{"id":725,"date":"2021-11-02T20:27:58","date_gmt":"2021-11-02T20:27:58","guid":{"rendered":"http:\/\/nutrir.com.vc\/blog\/?p=725"},"modified":"2022-05-05T16:44:02","modified_gmt":"2022-05-05T16:44:02","slug":"e-hora-de-falar-sobre-comida-sustentavel-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nutrir.com.vc\/blog\/2021\/11\/02\/e-hora-de-falar-sobre-comida-sustentavel-no-brasil\/","title":{"rendered":"\u00c9 hora de falar sobre comida sustent\u00e1vel no Brasil?"},"content":{"rendered":"\n<p><em><strong>Michelle Jacob Ph.D., \u00e9 professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da UFRN.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Texto publicado pela Ag\u00eancia Bori em 06 de outubro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o, porque as pessoas n\u00e3o podem pagar por alimentos org\u00e2nicos\u201d. E foi assim que h\u00e1 alguns anos uma colega de trabalho tentou me convencer de que o debate da comida sustent\u00e1vel n\u00e3o era para n\u00f3s, brasileiros e brasileiras.<\/p>\n\n\n\n<p>O ano era 2017. Naquela \u00e9poca a cesta b\u00e1sica custava R$ 431,66 contra os R$ 650,50 de 2021. A tr\u00e1gica combina\u00e7\u00e3o de eleva\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os de alimentos, somada \u00e0 infla\u00e7\u00e3o, ao desemprego de longa dura\u00e7\u00e3o e aos cortes em pol\u00edticas p\u00fablicas de seguran\u00e7a alimentar aumentaram a pobreza no Brasil, colocando o pa\u00eds novamente no mapa da fome. A atual pandemia de Covid-19 e a consequente crise econ\u00f4mica global agravam o cen\u00e1rio. O resultado \u00e9 que hoje uma em cada duas pessoas no pa\u00eds encontra dificuldades de colocar comida na mesa. Muitas dessas pessoas vivem em situa\u00e7\u00e3o de fome. E agora? J\u00e1 \u00e9 hora de falar sobre comida sustent\u00e1vel no Brasil?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A mentira<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Talvez voc\u00ea pense como minha colega, que n\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 hora. Apesar de n\u00e3o concordar, entendo o porqu\u00ea de algumas pessoas pensarem desta forma. O mercado transmite a mensagem de que a sustentabilidade \u00e9 um produto reservado \u00e0s pessoas e na\u00e7\u00f5es que podem pagar por ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na d\u00e9cada de 80, o relat\u00f3rio \u201cNosso Futuro Comum\u201d apresentou para o mundo o conceito moderno de sustentabilidade. Volte e leia novamente o t\u00edtulo do relat\u00f3rio. Mais recentemente, com o lan\u00e7amento da Agenda 2030 das Na\u00e7\u00f5es Unidas, a mensagem central continua sendo clara: \u201cn\u00e3o deixar ningu\u00e9m para tr\u00e1s\u201d. Para que isso seja poss\u00edvel, as solu\u00e7\u00f5es para o futuro sustent\u00e1vel n\u00e3o podem ser tratadas como produto.<\/p>\n\n\n\n<p>O conceito de sustentabilidade apresentado em \u201cNosso Futuro Comum\u201d \u00e9 fundamentado em duas premissas b\u00e1sicas: (i) a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades do hoje e (ii) o nosso compromisso coletivo com as gera\u00e7\u00f5es futuras. Como na\u00e7\u00e3o, somos v\u00edtimas de uma mentira fundamental: a de que n\u00e3o temos o bastante para todos. Por isso, precisamos produzir mais, a todo custo social e ecol\u00f3gico, para garantir a comida na mesa hoje. Pensar no amanh\u00e3 \u00e9 privil\u00e9gio dos que podem. Os privilegiados que podem pagar por org\u00e2nicos. Mesmo sendo filhos e filhas dessa rica na\u00e7\u00e3o, assistimos nosso futuro ser roubado enquanto escutamos a mentira de que n\u00e3o temos o bastante para o hoje.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E ent\u00e3o, j\u00e1 \u00e9 hora de falar sobre comida sustent\u00e1vel no Brasil? Sim. Sobretudo se o objetivo for chegar ao \u00e2mago do problema, que \u00e9: como garantir o acesso de todos, no presente e no futuro, \u00e0 comida que seja saud\u00e1vel para as pessoas e para o planeta? Apesar de sutil, esse enquadramento do debate amplia em grande medida a nossa capacidade de refletir sobre as mudan\u00e7as que nos colocar\u00e3o no caminho do futuro que queremos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O enquadramento<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente vem se consolidando a ideia de que precisamos tomar uma atitude sobre o problema da produ\u00e7\u00e3o e consumo de carne. Para produzir carne em larga escala, somos capazes de cometer atrocidades: desmatamos, expulsamos pessoas e outros seres de suas moradas, matamos, polu\u00edmos, entramos de cabe\u00e7a no cheque especial ecossist\u00eamico, conforme express\u00e3o de Reinaldo Jos\u00e9 Lopes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As solu\u00e7\u00f5es come\u00e7am a aparecer na forma de produtos: hamb\u00fargueres e alm\u00f4ndegas vegetais, al\u00e9m de carnes cultivadas em laborat\u00f3rio. Particularmente sou entusiasta de muitos deles. Como n\u00e3o acredito na epifania vegetariana em n\u00edvel global, vejo nestes produtos um potencial de reduzir em grande medida o problema do sofrimento animal. Nos tornamos especialistas em como torturar milhares de animais todos os dias nos sistemas de confinamento industrial. Acredito que o desenvolvimento tecnol\u00f3gico no terreno da alimenta\u00e7\u00e3o j\u00e1 pode nos ajudar a abordar desafios \u00e9ticos dessa natureza. Como Nikola Tesla disse ainda em 1900 no livro <em>The Problem of Increasing Human Energy<\/em> acredito que \u201ctodo esfor\u00e7o deve ser feito para impedir a matan\u00e7a arbitr\u00e1ria e cruel de animais, que deve ser destrutiva para nossa moral.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O debate sobre substitutos da carne, sobretudo o da carne cultivada, quase sempre \u00e9 muito inflamado. As pessoas acabam se posicionando em p\u00f3los extremos contr\u00e1rio e \u00e0 favor dos produtos e acabam esquecendo de falar sobre ele, o acesso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante falar sobre acesso mesmo que esses produtos mal tenham chegado nas prateleiras dos supermercados. Atualmente, meia d\u00fazia de <em>startups <\/em>do Vale do Sil\u00edcio dominam a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de carne cultivada. Essas empresas contam com investimentos dos maiores produtores de carne do mundo, dentre elas Cargill, Tyson etc. At\u00e9 a nossa velha conhecida JBS j\u00e1 enveredou no mercado dos produtos an\u00e1logos \u00e0 carne. Os investimentos feitos por essas corpora\u00e7\u00f5es acontecem sob a condi\u00e7\u00e3o de que a propriedade intelectual sob as patentes seja privada. Isso significa que todas as decis\u00f5es fundamentais sobre a nossa comida ser\u00e3o tomadas por um punhado de pessoas com o objetivo principal de expandir o lucro de seus investidores. N\u00e3o preciso contar o que acontece no final dessa hist\u00f3ria.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, vou dar um exemplo que \u00e9 um aperitivo dos desafios \u00e0 frente. Como mencionei, sou entusiasta das op\u00e7\u00f5es substitutas da carne. Por um motivo simples: adoro carne. Apesar disso, tenho a resolu\u00e7\u00e3o pessoal de reduzir o consumo. Tenho feito isso ao longo dos anos. Mas n\u00e3o posso deixar de admitir que \u00e9 um claro conflito entre raz\u00e3o e paix\u00e3o, que tenho certeza que compartilho com muitos. Por isso, gosto de pensar que terei an\u00e1logos \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o. Segue a hist\u00f3ria: h\u00e1 menos de um m\u00eas comprei uma das op\u00e7\u00f5es de frango vegetal de uma das l\u00edderes do mercado no pa\u00eds. Na lista de ingredientes um me chamou aten\u00e7\u00e3o especial: \u201ccondimento sabor frango\u201d. Pelo Instagram, abri a caixa de mensagem e pedi mais informa\u00e7\u00f5es para a empresa. Segue o di\u00e1logo em sua forma integral.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\ud83d\udc69\ud83c\udffb <em>Gostaria de saber o que cont\u00e9m no condimento sabor frango. Poderiam e<\/em>sclarecer?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\ud83d\udc68\ud83c\udffb <em>A gente segue a regulamenta\u00e7\u00e3o de rotulagem que obriga a combina\u00e7\u00e3o de aromas ser chamada de \u201ccondimento preparado sabor xx\u201d. Mas fica tranquilx, eu n\u00e3o uso nenhum ingrediente artificial e nem real\u00e7adores de sabor. Todos os aromas que comp\u00f5em o condimento s\u00e3o de origem natural.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"> \ud83d\udc69\ud83c\udffb  <em>E eu n\u00e3o posso saber quais s\u00e3o? E<\/em>ssas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes pra mim.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\ud83d\udc68\ud83c\udffb <em>Ent\u00e3o, os ingredientes do condimento sabor frango n\u00e3o podemos divulgar, se compartilharmos iriamos (sic) compartilhar a &#8220;formula (sic) da perfei\u00e7\u00e3o&#8221; \ud83e\udd23, mas fica tranquilo, que n\u00e3o tem nada artificial, nem de origem animal!<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei voc\u00ea, mas o segredo \u00e9 uma coisa que me incomoda quando o tema \u00e9 comida. Quero saber o que estou comendo. E parece que o segredo \u00e9 a chave no tema dos substitutos da carne. Aqui vai a equa\u00e7\u00e3o: some concentra\u00e7\u00e3o de poder com falta de transpar\u00eancia e agregue ainda o objetivo central desses investidores da carne, que \u00e9 o lucro. Fa\u00e7a essas contas para inferir o potencial do mercado em resolver o problema da carne.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n\u00e3o significa que esse debate n\u00e3o valha a pena. Ele vale e \u00e9 necess\u00e1rio. Gostemos ou n\u00e3o em um futuro muito pr\u00f3ximo esses produtos estar\u00e3o nas g\u00f4ndolas do supermercado mais pr\u00f3ximo de sua casa. N\u00e3o debater \u00e9 entregar nosso futuro de bandeja.<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o do enquadramento aqui \u00e9 a seguinte: a \u201cf\u00f3rmula da perfei\u00e7\u00e3o\u201d para garantir nosso futuro comum n\u00e3o deve ser de propriedade privada. A carne cultivada ser\u00e1 parte do futuro que queremos se o setor p\u00fablico puder investir e regular o uso dessa tecnologia. E o papel do setor privado, qual seria? Parafraseando o incisivo discurso do economista liberal Jeffrey Sachs na pol\u00eamica pr\u00e9-c\u00fapula sobre sistemas alimentares das Na\u00e7\u00f5es Unidas, o papel do setor privado \u00e9 o seguinte: comporte-se, pague seus impostos e siga as regras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As solu\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O caso dos substitutos da carne \u00e9 ilustrativo de que o debate sobre comida sustent\u00e1vel \u00e9 infrut\u00edfero se n\u00e3o considerar, al\u00e9m dos produtos, o acesso. \u00c9 aqui que as solu\u00e7\u00f5es para os problemas da comida se complexificam. Discutir acesso \u00e9 falar sobre igualdade de oportunidades. Sem rodeios, no terreno da comida, o acesso pode ser traduzido por duas ideias b\u00e1sicas: (i) reforma agr\u00e1ria e demarca\u00e7\u00e3o de terras e (ii) renda. Essa \u00e9 a verdadeira \u201cf\u00f3rmula da perfei\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Sou professora. E \u00e9 imposs\u00edvel n\u00e3o reconhecer um semblante de desesperan\u00e7a nos estudantes quando chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que o futuro que queremos depende de reformas estruturantes na pol\u00edtica. Nessas horas \u00e9 importante lembrar que mudan\u00e7as estruturantes n\u00e3o acontecem em um estalar de dedos. A panaceia n\u00e3o existe. Tampouco o Messias. Mesmo assim, temos que come\u00e7ar de algum lugar. O Programa Bolsa Fam\u00edlia, o Programa Nacional de Alimenta\u00e7\u00e3o Escolar, o Guia Alimentar para a Popula\u00e7\u00e3o Brasileira s\u00e3o provas vivas de que somos capazes de produzir solu\u00e7\u00f5es p\u00fablicas que nos recoloquem na rota da comida sustent\u00e1vel de forma gradual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, se voc\u00ea est\u00e1 lendo essa mat\u00e9ria provavelmente \u00e9 uma das pessoas que t\u00eam a sua pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o garantida. Por isso, sua capacidade de participar da constru\u00e7\u00e3o do futuro que queremos tamb\u00e9m come\u00e7a a\u00ed, na pr\u00f3xima refei\u00e7\u00e3o. Se puder: reduza o consumo de alimentos de origem animal; diversifique sua dieta com mais alimentos locais, sejam eles plantas, cogumelos, ou algas; valorize o trabalho de agricultores e agricultoras familiares. E, para aqueles que menosprezam o potencial de pequenas mudan\u00e7as, lembro da frase do fil\u00f3sofo irland\u00eas Edmund Burke: \u201cNingu\u00e9m cometeu maior erro do que aquele que n\u00e3o fez nada porque s\u00f3 podia fazer pouco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, sua capacidade de participar de forma mais ativa da constru\u00e7\u00e3o do futuro que queremos tamb\u00e9m mora no voto. Apoie representantes que defendam expressamente que a forma como produzimos e consumimos comida no nosso pa\u00eds precisa mudar; que n\u00e3o nos transformem em v\u00edtimas do engodo produtivista enquanto negociam nossas florestas e nossas vidas; que compreendam que um pa\u00eds rico \u00e9 um pa\u00eds livre da fome. Essas pessoas existem e merecem nosso voto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 hora de falar sobre comida sustent\u00e1vel no Brasil? Sim, j\u00e1 passou da hora de podermos voltar a ter esperan\u00e7a no futuro. A esperan\u00e7a anda de m\u00e3os dadas com a indigna\u00e7\u00e3o e com a coragem, como ensina Santo Agostinho. \u201cA indigna\u00e7\u00e3o nos ensina a n\u00e3o aceitar as coisas como est\u00e3o; a coragem, a mud\u00e1-las\u201d. \u00c9 hora de retomar nosso caminho na dire\u00e7\u00e3o do futuro que queremos, pois como nos lembra Ailton Krenak, \u201co [nosso] amanh\u00e3 n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 venda\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michelle Jacob Ph.D., \u00e9 professora do Departamento de Nutri\u00e7\u00e3o da UFRN. Texto publicado pela Ag\u00eancia Bori em 06 de outubro de 2021. \u201cN\u00e3o, porque as pessoas n\u00e3o podem pagar por alimentos org\u00e2nicos\u201d. 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